quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

agora começo a me afastar um pouco da grande roda que se formou em torno da expectativa por notícias boas e aos poucos consigo catar umas palavras do chão. aos poucos. ainda tô tentando me recuperar mas achei que devia dizer alguma coisa antes que me tomassem por desaparecida de novo. o Sol derreteu tudo, inclusive aquele nosso sonho de sair por aí procurando umas pipas pra depois soltar na praia. destruiu a armadilha com jornal na areia, acabou com o boneco do Silvio Santos que levamos anos talhando na madeira. botou luz demais, ardeu muita coisa e eu ainda não consegui me acostumar com a quentura toda, só consigo pegar uns segundos e usá-los com afinco pra tentar pensar no que vai ser da gente. achei que pudéssemos conquistar um futuro mas afinal de contas acho que isso é mentira. mal aí, às vezes eu repito umas coisas pra nos salvar e mais um montão de outras coisas pra que ninguém se salve. no meio disso tudo a vida acontece. essa poderia ter sido a melhor primavera de todas, não fosse a secura da garganta, o excesso de ar no peito e o fato de estarmos marcando muita, muita bobeira. eu sei, é preocupante: quem vai levar adiante a revolução, quem vai tocar o barco, quem vai dormir na escola? não sei, não se pode pensar em tudo. apostava todas as minhas fichas naqueles 5 muleques, mas agora eles tomaram 50 tiros, foram metralhados pela polícia.

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