domingo, 27 de setembro de 2015

DO ECLIPSE

e outras coisas
que turvam a
visão

como a sombra dessa árvore
contra o Sol

prédios
óculos escuros
a própria claridade
o sal do mar no olho
qualquer corpo substância
no olho

besteira
sempre tem qualquer coisa no olho
e essa coisa que nos turva
se chama gente
ou realidade psíquica

mais tarde vi perdida
a luz da lua
em outro corpo
e tudo, claro,não tão claro
seguiu seu rumo
(um dia nunca é igual ao outro mas é parecido
eu aprendo com as nuvens
e as águas
e as frases que escrevo)

minha poesia está aquática?
salgada
doce quem me dera 
meu são cosme e damião

estar na natureza 
é tentar faltar um pouco a palavra
mas só um pouco

senão o que faço com 
esse tanto de ar no peito?

sem querer imito o menino
o moço que parece dormir sereno
mas quando acorda sempre fala
de maneira retórica

o que que eu faço com essa mudança toda?
me diz o que que eu faço
com esses planos dentro da gaveta?

pergunto deitada na clareira
e em tempo 
de meditação

só depois 
só depois
e isso mais uma vez
vem com a aridez
a força 
de três desertos inteiros

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