domingo, 19 de julho de 2015

O POVO NÃO É BOBO

nada começou sem você

o ano espera a contagem regressiva 
os juízes de futebol
aguardam pra autorizar
o pontapé inicial
nenhuma criança nasce
mães e pais esperam o primeiro chorinho
de seus filhotes 
enquanto você não aparece

os doentes continuam 
terrivelmente doentes
até tem terra pra depositar os corpos
se alguém morresse
se grama verde brotasse
mas ninguém morre
e as estações do ano estão congeladas
e a isso não chamamos de inverno

fronteiras estão eternas por enquanto
pontes, países, rios, 
fases difíceis, fases fáceis
ninguém atravessa
ninguém passa de fase
nem no videogame

querem que se preveja o futuro
mas as videntes nada vêem
nem pra frente nem pra trás

o universo ainda é 
uma cabeça de alfinete
por sua causa perdemos os dinossauros
e asteróide nenhum passa por aqui
nem pedras nem aerolitos por nenhum canto

não há cantos
nem quadrados
nem guardanapos
nem figura geométrica nenhuma

este poema aqui é uma ousadia
uma fenda no tempo e espaço
um ponto fora da curva
uma transgressão
um ato de vandalismo
um abaixo a rede globo
se a rede globo fosse sua ausência

falando em rede globo
ela só tem dado a primeira cena
do primeiro capítulo
da primeira novela
sem comercial
você vê, é melhor voltar
ninguém tá ganhando nada com isso.

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