domingo, 5 de julho de 2015

FLOOD

o poema tá todo na minha cabeça,
parado na porta da sala
em frente a um vaso de begônias
que foi dado por tia Adelina
naquele maio de 73
e magicamente ainda conserva cheiro.

tá cheio de frases que eu pensei em dizer
colocadas exatamente ali,
pousadas no bico do bicho astuto
que carregou, carrega um pouco
de tristeza na asa.

mas só um pouco.

falemos de alegria,
falemos de doçura,
falemos das coisas que duram
porque foram e continuam 
bonitas, como o dia
que o sorriso do menino rebelde
se espalhou por toda cidade 
e inundou-nos a todos.
falemos do dia
da grande inundação.

tá tudo aqui,
o poema inteirinho

nada.

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