domingo, 7 de junho de 2015

ROSA PRA ANTÔNIO

andei, andei, andei depressa.
fiz de cada passo prece
já que a noite era propícia:
de santo Antônio casamenteiro.

no caminho apanhei uma rosa.
meu pensamento era só rosa
e esperança
rosa esperança
em toda esquina uma promessa
de que a mim ele ouviria.

andei, andei, andei depressa,
era frio mas eu suava
meus dois pés e o coração
era tudo que rumava.
meu estômago flutuava
em cima da cabeça como um balão
que eu segurava com a única mão
que me restava.

andei, andei, andei depressa,
até chegar na escadaria
“és Bonfim ou és Antônio?”
eu perguntava.
subia e arfava
e queria e cantava
a canção que não era minha
a letra que não era minha
a vida que não era minha.

andei, andei, andei depressa
e no topo da igreja
toda iluminada
era dia de homenagear o santo
que casamenteia.

parei.
olhos molhados de sal
cristalina lágrima candeia
lavando o chão do Antônio
e molhando a lua cheia.

junto ao corpo, a rosa
que deixei como oferenda
nos pés da abadia.

e de joelhos 
pedi ardente
que por um milagre

você me beijasse um dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário