terça-feira, 14 de outubro de 2014

14 DE OUTUBRO

mal a gente se
encontra e lá vem você
perguntar sobre minha escrita.

eu quase sempre digo
a mesmíssima ladainha, 
sobre fronteiras e máquinas de xerox
e você me leva pela mão
até o conselho de paz mais próximo
pedindo que acreditem em mim.

se me perguntassem o que
de mais bonito há em você, 
eu diria sem medo
que não é o prêmio nobel da paz 
que ganhou junto com outros três
representantes políticos pelo que fez
na Palestina,
mas a forma como consegue carregar
uma lamparina, com pouco querosene
e ao mesmo tempo 
ir tateando o caminho.
não é à toa que aquele monge
de túnica vermelha e também os mendigos,
trovadores, viúvas, marinheiros
e todo tipo de pessoa perdida
tem o seu telefone, 
eles certamente enxergam o 3º olho 
que tem entre os olhos amarelos, 
os conhecimentos antigos
e também a habilidade que tem com as mãos,
como envolver um sanduíche do mcdonald 
sem tocá-lo, usando só um guardanapo
e a própria caixa.
também tem aquilo de ficar falando
da vida como se tivesse vivido muito e de tudo 
e acho que é por isso
que consegue decorar as canções de qualquer tempo
e tocá-las nos tempos de agora.

hey, Djou,
agora pensando, 
acho que foi de propósito que tentou me ensinar
todas aquelas canções
dos velhos e atuais tempos
e se eu tivesse sido boa aluna
teria aprendido la vie en rose
na noite exata que você implantou o calendário gregoriano
na ida União Soviética de 1923,
na noite em que nuvens e estrelas se movimentavam rápido, 
testavam alguma espécie de dança nova 
que não dava nem
pra tentar acompanhar com os olhos 
ou com os dedos,
requer um pouco mais de ritmo
e um romantismo 
um pouco mais formal, um pouco mais
da década de 20.

eu não tenho nada disso
mas você tem 
e além disso foi atento
e conseguiu tirar partituras
e pendurá-las na parede do quarto.

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